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Linguagem Audiovisual

 
 

 

         O filme vive do movimento, tanto do movimento dos seus elementos imagísticos, como  da mobilidade da câmara, ao que se vem juntar ainda as emoções interiores. A câmara deve captá-los numa “veracidade própria de um filme”, quer estejamos a falar de cinema, quer de vídeo ou televisão.

A reportagem televisiva ou a obra cinematográfica reduz tudo quanto existe no espaço real ao nível da representação. Contudo, a obra deve incluir os espectadores na sua acção, criar identidades.

Para que esta envolvência emocional e racional sejam possíveis, é necessária a utilização de diversos elementos fundamentais, que constituem a linguagem audiovisual.

 

 O Plano

Nesta área não existem definições precisas e definitivas, já que se trata de uma linguagem técnico-artística e o vocabulário  encontra-se em constante mutação. O mais frequente é considerarmos como um plano cada parte da fita que se apresenta ao espectador como tendo sido filmada sem interrupções.

No entanto, se na montagem a cena filmada sem interrupção é cortada em determinado ponto (por exemplo, para intercalar um pormenor) teríamos assim, pelas mesmas razões, três planos: a primeira parte da cena em questão, o pormenor intercalado, a segunda parte. A isto podemos chamar um plano de montagem.

Mas o plano é também uma série de imagens com uma certa duração que, quando montados e colados todos juntos, contituem a obra final. Há planos que duram um segundo (chama-se-lhe flashes), mas também há os que duram vários segundos e até minutos.

 

 A Cena

O conjunto de planos cuja acção é contínua e decorre numa relativa unidade de tempo e espaço, constitui as cenas e as sequências; o conjunto das sequências constitui a obra final ou reportagem.

 

 O Enquadramento

É preciso acentuar que, a variação da longitude da câmara à cena filmada, por meio de movimento (sem interrupção da filmagem), não significa uma mudança de plano, mas simplesmente, mas simplesmente, dentro do mesmo plano, a variação do enquadramento. Assim, os diferentes enquandramentos classificam-se por: plano muito geral, plano geral, plano conjunto ou inteiro, plano americano, plano médio, plano aproximado de peito, grande plano, muito grande plano e plano de detalhe.

O enquadramento permite dirigir a atenção do espectador, isolar um protagonista da história, engrandecer um detalhe, permitindo animar a cena em função do objectivo e do jogo psicológico que se pretende.

 

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Enquadramento  
 

 

Plano Muito Geral

 Pode servir de plano introdutório, começando a reportagem com um enquadramento deste tipo e uma panorâmica, para enquadrar o espectador no espaço. Serve também para oferecer uma visão ampla do terreno onde se desenvolve a história ou para enquadrar um indivíduo no ambiente que o circunda.

O plano muito geral, aplicado no final de uma sequência de planos aproximados, provoca no espectador um relaxamento da tensão visual.

 

 Plano Geral

De características semelhantes à do plano muito geral, o plano geral dá maior clareza aos pormenores da acção humana e menos importância ao ambiente em que ela se enquandra. Daí que, por vezes seja necessário para que o espectador possa concentrar a sua atenção na acção de cada indivíduo separadamente.

O plano geral mostra o espaço onde se desenrola a acção, os intervenientes e os seus movimentos.

 

Plano Conjunto

Com este enquadramento o espectador assiste à acção de dois, ou mais, indivíduos. Permite acesso a qualquer movimento, quer seja de mãos, pés ao expressão facial. Não é muito usado na linguagem audiovisual do jornalismo, mas pode ser útil para demonstrar diferença de alturas, posicionamentos ou certas cenas de desporto.

 

 Plano Americano

O plano que capta a figura à altura dos joelhos é conhecido tradicionalmente como Plano americano, devido à popularidade entre os realizadores de Hollywood, nas décadas de 30 e 40 (os famosos westerns).

Permite que se tenha a imagem quase completa de determinado indivíduo, aproximando o espectador de possíveis pormenores. No entanto, os movimentos dos pés não são incluídos.

 

Plano Médio

Este é mais reduzido que o plano americano, pois mostra um indivíduo até à zona da cintura. A maior parte do fundo é eleminada, conseguindo-se deste modo que a figura humana se converta no centro da atenção.

O plano médio carcteriza a acção individual, sobretudo dos braços e das mãos.

 

Plano Aproximado de Peito

A principal característica destes planos é proporcionar ao público proximidade em relação a um objecto ou pessoa, eleminando simultaneamente o ambiente que a envolve. Pode-se empregar este isolamento visual para revelar ou salientar o carácter, as intensões ou atitudes do indivíduo em questão.

É o mais correcto na filmagem de diálogos. Normalmente, o plano corta à altura do peito incluindo apenas a cabeça e os ombros.

O plano próximo obriga o espectador a uma maior concentração do que no plano médio. Dá-se uma maior importância ao rosto do entrevistado.

 

Grande Plano

Por grande plano entende-se sempre a representação da parte do todo. Este enquandramento torna mais claro os pormenores, caracteriza e revela, personifica e simboliza.

Os grandes planos, sobretudo de rosto humano, devem ser utilizados apenas quando a narrativa o exigir. São essenciais para atingir a máxima intensidade e captar a expressão do interlocutor. Este plano pode ser muito revelador de pensamentos ou da vida interior do entrevistado.

 

Muito Grande Plano

 Neste caso o enquadramento isola uma parte do rosto, incluindo o queixo e parte da testa e do cabelo do indivíduo.

Estes plano têm grande força expressiva, por isso devem ser usados com prudência, uma vez que a sua intensidade é muito elevada.

 

Plano de Detalhe

Também é chamado Plano de Pormenor. Este plano pode destacar parte do rosto ou de um objecto e são, de certo modo, o superlativo do Grande Plano ou do Muito Grande Plano.

 

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Ângulo de Câmara

 
 

 

Normal

É o ângulo de câmara mais formal e isento, porque os resultado são puramente estáticos. A distorção vertical é mínima e as linhas verticais do assunto apresentar-se-ão na imagem como tal. Quando o plano corresponde à visão objectiva que o espectador tem da situação, a câmara deverá ser colocada ao nível do olhar do indivíduo retratado, podendo corresponder à direcção do olhar do mesmo.

 

Picado

Enquadra a personagem vista de cima e pretende diminuir a sua força ou importância, fazendo-a parecer débil ou vulnerável. Com a câmara colocada a grande altura, a imagem evidencia mais a sua bidimensionalidade, uma vez que as linhas de perspectiva tendem a desaparecer.

Os grandes planos em picado provocam distorção, devendo por isso ser utilizados com precaução.

 

Contra Picado

A câmara é colocada a um nível mais baixo que o que contém a direcção normal do olhar de um personagem, de forma a captar o objecto que está a ser filmado de baixo para cima.

O operador orientará a câmara para cima, obrigando, desta forma, o espectador a observar o objecto ou personagem segundo aquele ângulo. Este efeito provocará consequentemente o aumento de estatura e importância de um personagem, de forma a colocá-lo numa posição dominante.

 

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Movimentos de Câmara

 
 

A câmara é dotada de mobilidade, uma máquina capaz de abranger na sua visão tudo o que a vista humana pode reter, de dirigir o olhar do espectador para os gestos, as expressões, objectos mais significativos.

Existem os movimentos de rotação que a câmara pode executar sobre o eixo, ficando fixo o seu tripé. Estes movimentos são análogos aos de uma pessoa que, sem se deslocar, roda a cabeça à esquerda, à direita, olha para cima e para baixo. Estes movimentos são chamados de panorâmicas.

Também há movimentos de translação, nos quais a câmara, montada sobre um carro ou carris, viaja pelo espaço físico onde decorre a reportagem. Este movimento pode ser para a frente, para trás ou lateral (direita e esquerda). São os travellings.

A ausência de movimento, ou fixo, é também possível em reportagem, documentário ou qualquer obra de cinema ou televisão. É importante que existam momentos com a câmara fixa para que, quando existe movimento, o espectador ter uma percepção mais nítida dela.

 

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Perspectiva

 
 

A perspectiva é determinada pela distância focal da objectiva e permite aproximar ou afastar o objecto filmado sen que haja deslocação no espaço físico. Assim, através do zoom in o olhar do espectador aproxima-se do indivíduo ou objecto (400/500 mm), enquanto o zoom out afasta o objecto e criam maior perspectiva (15/20 mm).

 

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Montagem

 
 

Pontuação

 Para fazer essa passagem de um plano para o outro, pode-se utilizar um simples corte – cut – ou utilizar uma pontuaçã mais subtil e adequada à narrativa.

Assim, o encadeado mostra-nos a imagem do próximo plano sem que desapareça totalmente a imagem do plano anterior. Pode durar apenas frames, segundos ou mostrar-nos as duas imagens sobrepostas durante um tempo bastante sensível e então comunicar-nos uma sensação de grande suavidade. Esta suavidade pode ter um sabor ainda mais subtil se o jornalista conseguir estabelecer uma ligação estética entre entre as duas imagens.

O fundido, que é empregue para grandes divisões. Obtem-se com o escurecimento (fad out) ou clareamento (fad in). Os fundidos marcam, geralmente, lapsos de tempo e permitem recordar acontecimentos do passado ou sonhos.

Outra técnica de pontuação é a cortina que é, geralmente empregue para uma mudança no espaço com simultaniedade de tempo. A cortina consiste em substituir uma imagem por outra por meio de uma linha que atravessa o ecrã. O espectador tem a impressão de que a imagem é pouco a pouco arrastada para o lado para ser substituída por outra. Pelas características apontadas é muito empregue em documentátios.

 

Continuidade

 Quando se “colam” os planos filmados, ou seja quando se faz montagem, tem de se responder a determinadas técnicas e regras. È necessário que os planos permitam continuidade ou, como lhe chamam os especialistas racord.

O racord faz a perfeita ligação entre dois planos sucessivos. Temos assim o simple racord de objectos e acessórios, de gestos ou direcções, do ângulo de filmagem e do som. O racord é, portanto, o elemento de continuidade fílmica.

A essência do argumento será o assunto tratado eplo jornalista ou repórter. Este será comunicado ao espectador através de um fluxo de imagens visuais e sonoras que possuirão um significado, tanto individualmente como no seu conjunto.

O jornalista ou repórter terá de seleccionar as imagens que, juntamente com outras, proporcionem a melhor forma de comunicar o assunto da peça. Cada imagem é uma ideia, cada cena uma sucessão de ideias que, uma vez montadas, dão à narrativa uma fluídez lógica e harmoniosa.

Os planos devem ser vistos como fragmentos de uma única continuidade que facilite ao espectador a compreensão fundamental de uma cena e lhe dê possibilidade de a relacionar com as estruturas significantes apresentadas noutras. É nesta continuidade que reside a força da narrativa.

 

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