A cruz de
Maria Cruz
Lá estava
ela. Maria Cruz isolou-se do mundo para cumprir um objectivo. Mas
ninguém dava muita importância à tarefa que Maria desempenhava, a não
ser ela própria.
Maria Cruz tinha que traçar cruzes dentro de quadrículas que enchiam as
folhas de um caderno. Não tinha de as preencher todas, apenas algumas.
As outras não eram da sua competência.
E Maria preenchia as suas quadrículas com afinco. Fazia deslizar a
caneta pelo papel, para traçar as cruzes mais perfeitas. Com cuidado,
para não ultrapassar os limites, mas bem desenhadas para as cruzes
encherem o quadrado de orgulho, para lhe encherem as medidas. Mas só
Maria Cruz considerava aquele objectivo importante. Os outros pensavam
que aquele perfeccionismo era perda de tempo - afinal, são apenas cruzes!
O pior é que Maria não desenhava as cruzes sozinha. Ela precisava de
alguém que lhe segurasse as folhas, que lhe desse caneta, que a apoiasse
na sua árdua tarefa. E nem sempre alguém estava disposta a ajudá-la. Mas
Maria Cruz não desmorecia. Continuava na sua vida, isolada do mundo, mas
concentrada nas cruzes, para o traço das suas ser o mais perfeito, para
não ultrapassar os limites mas preencher todo o quadrado.
Maria continua a acreditar que as suas cruzes têm de ser as mais
perfeitas. Muitas vezes não o são, é certo!, mas Maria Cruz não desiste
de continuar a tentar.