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O Poder da Imagem©

Patrícia Nogueira da Silva

Escola Superior de Jornalismo do Porto

Abril de 2002

 

 

O Poder da Imagem

Um Armazém de Imagens

Eternamente Presente

Televisão e Efeitos

A televisão como Vítima

 

O Poder da Imagem  
 

          A imagem televisiva é formada por três milhões de pontos luminosos por segundo, dos quais o espectador só pode perceber algumas centenas em cada instante: o mínimo necessário para ler a imagem. Ele torna-se assim co-criador da imagem e a televisão transforma-se num meio interactivo.

 No entanto, há quem defenda que o pequeno ecrã produz uma realidade que aliena o indivíduo da realidade e o torna passivo; que o medium leva ao conformismo social, reforçando o apego aos valores tradicionais. E, na verdade, experiências nos finais da década de 50 concluíam o fenómeno da atenção selectiva, ou seja, o receptor expõe-se preferencialmente às mensagens cujos conteúdos vão no sentido de reforçar as suas crenças e pontos de vista, tendendo a rejeitar as opiniões contrárias.

 Esta última perspectiva era talvez verdade nas décadas de 50 e 60, quando a televisão procurava a aprovação de um públio maioritário, oferecendo programas para obter o acordo de todos ou quase todos. A política de programação baseada na obediência aos resultados das sondagens e das audiências fazia afastar todas as emissões dirigidas às minorias. No entanto, os efeitos de saturação levaram a uma mudança de estratégias: a multiplicação das fontes de difusão, produzindo uma concorrência mais severa, contribuíram para modificar este esquema e conquistar públicos novos e fragmentários.

         O poder da imagem?... e o som?, pergunto eu. Será que o som não é também importante? Talvez a interrogação mais correcta seja “o poder da televisão”. Afinal é sobre essa estranha caixinha, com imagem, som e movimento que nos vamos interrogar e, espero eu, chegar a alguma conclusão.

 Não é de agora que este tipo de interrogações se coloca, desde a influência da violência televisiva sobre as crianças, ao condicionamento das agendas políticas em prol da hora do telejornal. De um momento para o outro, existe a ideia de que os meios de comunicação social, em especial a televisão, coordenam  a vida social, política e económica. No entanto, a comunicação de massas é um círculo fechado, no qual se desconhece quem influencia quem, quem é influenciado por quem.

 

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Um armazém de Imagens

 
 

        Uma bomba informacional está a explodir no meio de nós, a atingir-nos com uma chuva de estilhaços de imagens e a modificar drasticamente o modo como cada um de nós apreende o mundo.

Na verdade, a televisão não mostra a realidade, mas uma representação do real. No entanto, o comum dos indivíduos não sabe distinguir a realidade mostrada pela televisão da realidade do meio envolvente. Existem locais, culturas, realidades que só conhecemos através da televisão e, no entanto, envolvemo-nos emocional e cognitivamente com essas realidades e reiteramos que as conhecemos, como se já lá tivessemos estado.

 Cada um de nós cria no cérebro um modelo modelo mental da realidade: um armazém de imagens. Algumas imagens são visuais e outras auditivas e até tacteis. Algumas são apenas “impressões”, vestígios de informação acerca do nosso ambiente, outras são a “certeza de uma realidade”, informação decalcada das imagens televisivas. Umas são simples e outras complexas e conceptuais. Juntas,  tais imagens formam o nosso quadro do mundo – localizando-nos no tempo, no espaço e na rede de relacionamentos pessoais que nos cercam.

 Estas imagens não surgem do nada. São formadas de modos que não comprendemos, a partir de sinais ou de informação que nos chega da televisão.  E à medida que o nosso ambiente se convulsiona com a mudança – à medida que os nossos empregos, as nossa casas, as nossas escolas e as nossas estruturas políticas sentem o impacto da televisão – o mar de informação que nos cerca também muda.

 Antes do advento da televisão, uma criança, a crescer numa aldeia que mudava lentamente, contruía o seu modelo de realidade a partir de imagens recebidas de um pequeno punhado de fontes: o professor, o chefe ou funcionário e, acima de tudo, a família. Herbert Gerjuoy, observou: “não havia em casa televisões para dar à criança o ensejo de conhecer muitas espécies diferentes de desconhecidos de muitos caminhos diferentes da vida e até de diferentes países (...) Muito pouca gente via alguma vez uma cidade estrangeira. (...) o resultado  (era que) as pessoas tinham apenas um pequeno número de indivíduos para imitar ou para lhes servirem de modelo.”

“As suas possibilidades de escolha eram ainda mais limitadas pelo facto de as pessoas que lhes podiam servir de modelo terem todas elas experiência limitada com outras pessoas.” Portanto, as imagens do mundo construídas pela criança da aldeia eram de uma gama extremamente estreita.

 A televisão multiplicou o número de canais através dos quais o indivíduo recebe a sua imagem da realidade. A criança já não recebe imagens apenas da natureza ou de pessoas, mas também através dos meios de comunicação de massas, em especial da televisão. Em grande parte, a casa, a escola, o Estado continuam a falar em uníssono, reforçando-se uns aos outros, mas a televisão veicula uma estanderdização de imagens que fluem na corrente mental da sociedade.

Certas imagens visuais, veiculadas pela televisão, foram tão vastamente distribuídas em massa e implementadas em torno de milhões de memórias particulares que se transformaram efectivamente em ícones. A imagem de Charlie Chaplin, de coco e bengala, a saia de Marlyn Moroe tufada pelo vento, o embate do segundo avião no World Trade Center.

 A colecção de imagens centralmente produzidas, injectada no “cérebro das massas” pela televisão, ajudou a produzir a estanderdização de comportamento exigida pelo sistema de produção de informação.

À medida que se acelera na sociedade, a mudança obriga a uma aceleração paralela dentro de nós. Chega até nós nova informação e somos forçados a rever o nosso arquivo de imagens, continuamente, a um ritmo cada vez mais rápido. Imagens mais antigas, baseadas na realidade passada, têm de ser substituídas, pois se as não pusermos em dia as nossas acções tornar-se-ão divorciadas da realidade.

Esta aceleração do processamento da imagem dentro de nós significa que as imagens se tornam cada vez mais transitórias. Ideias, crenças e atitudes impõe-se à consciência, são desafiadas, contestadas e subitamente desaparecem no nada. Teorias científicas e psicológicas são diariamente derrubadas e ultrapassadas. Ideologias rebentam. Celebridades atravessam numa pirueta fugaz o nosso consciente. Slogans políticos e morais contraditórios atacam-nos. A informação é volátil e inconstante. É difícil encontrar sentido nesta fantasmagoria turbilhante, compreender exactamente como o processo de fabrico de imagens está a mudar.

 Só uma certeza existe: não podemos acompanhar a actualidade.

 

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Eternamente Presente

 
 

         A televisão torna o passado presente, o inconcebível em realidade. Para o espectador, quando vê qualquer reportagem em diferido, o que está diante dos seus olhos está a passar-se na realidade, naquele preciso momento.

 Segundo Ignácio Ramonet, um dos factores que prendem o espectador ao pequeno ecrã é a rapidez das mensagens televisivas, mais concretamente existe, em média, 0,7 planos por segundo. Estas mudanças rápidas funcionam como estimulantes visuais. “Elas fixam o olhar, pelo seu ritmo ofegante e pelo piscar da luz. A velocidade da passagem de planos é tal que afastar os olhos do televisor, nem que seja por um segundo apenas, faria com que falha, pelo menos, um plano. Esta velocidade constitui, portanto, um meio de tornar cativo o olhar e de provocar um efeito de  hipnose”.

 Uma das características mais importantes da televisão é, exactamente a sua possibilidade técnica de voltar a acontecimentos e de retransmiti-los ao mesmo tempo que se desenrolam. A reportagem televisiva “em directo” apresenta, na televisão,  um tempo e um espaço que se desenrolam na realidade.

 Marcelo Giacomanionio, em os meios audiovisuais, debruçasse sobre o directo televisivo. Pra este autor “...o elemento que caracteriza a TV “aqui e agora” é exactamente a retransmissão da mensagem ao mesmo tempo que esta se cria. É este (...) que garante ao meio um sentido de “objectividade” análogo ao do protagonista directo do acontecimento.” O indivíduo tem a sensação de que participa na realidade em evolução, da importância dos acontecimentos, o ser-se informado, sem outros intermediários, dos factos que acontecem no mesmo instante em que eles se desenrolam.

 Mantendo uma relação próxima do público, a televisão consegue dar continuamente a sensação de que o que é comunicado é tirado directamente da realidade. Toda a informação é apresentada como “objectiva”, quando, afinal, não é outra coisa senão a transposição de realidades atentamente consideradas e manipuladas.

 No entanto, apesar da televisão viver da imagem, pois é esta característica que a distingue dos outros media, aramente os factos são narrados pelas imagens que os documentam. Quase sempre é lido um comentário, como se não houvesse qualquer diferença entre uma transmissão radiofónica e uma televisiva. O texto enconytra-se desenquadrado das imagens ou torna-se redundante, não acrescentando mais do que as imagens dizem por si.

 

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Televisão e Efeitos

 
 

A maioria das pessoas em todos os países atribui à televisão uma responsabilidade importante no desenvolvimento da licenciosidade sexual e no da violência. Este medium oferece, em quase toda a parte, um grande espaço à brutalidade, à agressividade, tanto nas suas emissões de ficção como nas suas reportagens e informações. Estes efeitos da televisão, a longo prazo, transformaram a acção global sobre o espírito público, tornando-o mais permissivo. O público habituou-se a ver sem grande emoção o que parecia chocar, a menos que não desenvolva um efeito de saturação ou indiferença, ou até um movimento de reacção contra uma eventual degradação de costumes.

Na verdade, a televisão pode agir de modo quase directo em valores geralmente admitidos. Mas, uma outra questão,  levaria a procurar se o contacto mais directo, mais imediato, com o acontecimento presente, não faria acreditar apenas no que se vê.

 Por outras palavras, a televisão, ao instituir uma sociedade da ubiquidade, desenvolveria o que se poderia chamar “o complexo de S. Tomé”. O ver para crer generalizou-se e criou o síndroma oposto, no qual se desvaloriza ou mesmo descrê de todos os factos que não são emitidos pelo medium.

 “A televisão, muitas vezes associada ao texto, é geradora do escândalo, produz ou alimenta mitos, denuncia o racional, escoa as forças da efectividade; símbolo por excelência da comunicação de massas, distingue-se da cultura de elite pelo “mau” gosto ou ausência de gosto, a ausência de hierarquia, de normas, de tabus.” (A. M. Thibault-Laulan)                                          

 O pequeno ecrã leva também a modificar os valores artísticos, ao fazer predominar os acontecimentos da “vida real” e a procura de experiências vividas que se sucedem de maneira repentina. Ou seja, pode notar-se que a apresentação da realidade dada pela televisão tende a privilegiar os acontecimentos sensacionais e leva mesmo, muitas vezes, a produzir efeitos de choque através do escândalo. O universo assim restituído é feito muito mais de pequenos acontecimentos, quer dizer, do que é excepcional, do que de factos correntes. Em resumo, os valores que se impõe são principalmente os do espectacular.

 Um outro aspecto das mesmas tendências é a promoção dos indivíduos que se tornam “vedetas”, não por relação aos valores sociais ordinários mas segundo as exigências da projecção e da identificação. Assim, o intérprete adquire um estatuto de prestígio, que ultrapassa por vezes o criador. Um exemplo recente remete-nos, como não poderia deixar de ser, para os reallity shows e, mais concretamente, para o Big Brother. Os seus protagonistas tornaram-se rapidamente heróis nacionais, mesmo não tendo colaborado em algo para a projecção do país, para o desenvolvimento económico, social, político, moral ou intelectual da humanidade. Um outro caso, bem mais antigo, consiste na chamada “imprensa cor-de-rosa” que já ultrapassou as revistas e  se largou a programas televisivos; programas nos quais se dá a conhecer a vida social e privada de determinadas individualidades, mas que em nada contribui para o enriquecimento emocional ou cognitivo do espectador.

 Segundo Jerry Mander a televisão provoca quatro efeitos adversos que é necessário combater, para acabar com o meio de comunicação como deformador da mente:

 1 – “Diminui o conhecimento pessoal”. A televisão filtra a experiência e dá-nos a sensação de já termos passado por diversas situações pelas quais, de facto, não passamos. Se tentarmos levar um grupo de crianças ao jardim zoológico elas irão ficar aborrecidas, porque já conhecem todos aqueles animais através do pequeno ecrã. Numa faixa etária superior, quando falamos de adultos, os indivíduos julgam já ter vivido vários acontecimentos que vêem no telejornal, respondem a perguntas como se tivessem estado em determinados locais e tivessem vivido cada passo, em tempo real.

 2 – “Elimina os pontos de comparação”. Observe como a televisão tenta mostrar os cidadãos mais comuns, os indivíduos vulgares, com uma família completa, com um cão e uma vida agradável. As séries, com algumas excepção, mostram regularmente a alta sociedade, onde todos vivem em mansões e guiam BMW. Pense nas crianças de um gueto a ver estes programas: a criança não tem uma base de comparação, por isso acredita que a maioria das pessoas vive naquelas casas, conduz aqueles carros e tem aquele estilo de vida e que, por qualquer motivo, a sua família teve um infortúnio e é uma excluída.

 3 – “Separa os indivíduos do resto do mundo”. Em primeiro lugar, a televisão permite que as pessoas não tenham de sair para se enterterem, quando podem sentar-se em casa e olhar para o pequeno ecrã. Mas o pior é que enquanto uma família vê televisão não existe interacção entre eles. Os membros da família estão a ter experiências diferentes e separadas, cortando os laços com o exterior, com a família e a comunidade.

 4 – “Centralização do conhecimento e da informação”. As estações de televisão encontram-se nas mãos de poucos indivíduos: Rupert Murdock, AOL, Warner... Assim, a informação da CNN é dada como adquirida, ainda que esta seja porta-voz do governo americano, as imagens difundidas são praticamente as mesmas, homogenizam os conceitos, a moda, as ideias. Tornamo-nos todos cidadãos de um mundo demasidamente pequeno para que possa haver diferença e auto-determinação.

 

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Televisão como Vítima

 
 

         Durante a Guerra do Golfo foram veiculadas imagens televisivas em número excessivo, mas todas elas viciadas pelos senhores da guerra. Muitas vezes apareceram repórteres fazendo o relato dos acontecimentos em directo. Porém, agora, à distância, sabe-se como a lógica da guerra mediática se sobrepôs à lógica informativa, baseada em critérios jornalísticos. Foi impossível contrariar o turbilhão de imagens e de informações contraditórias originadas no cenário de guerra. Ou seja, afinal as armas dos jornalistas revelaram-se inadequadas para ultrapassar o intuito de fazer deles meros mensageiros, peças da máquina da propaganda.

 Mas a televisão pode ser vítima de fontes viciadas ou de manipulação por parte de poderes políticos ou económicos. Vários indivíduos aproveitam a sua posição social ou económica e votam a televisão aos seus interesses, usando a arte da desinformação. Desinformação, contradesinformação, mas também a fragilidade da televisão que se deixa moldar por ideologias correntes e por interesses. Por meio de mentiras, pressões e golpes de teatro cuidadosamente calculados, os assesssores de imprensa têm induzido muitas vezes a televisão em erro.

 Entraves múltiplos limitam, nas sociedades democrátias, a liberdade de expressão e de informação. Nomeadamente, o dinheiro. Grupos de comunicação, dando provas de uma fome insaciável, compram , observam e controlam um número cada vez maior de media. O fenómeno ganha uma amplitude especial na Europa com o desenvolvimento de novas tecnologias e o descompromisso do Estado que privativa. O direito dos cidadãos ao pluralismo informativo fica, desta maneira, enfraquecido.

 A televisão, bem como os restantes meios de comunicação, deixou de ser livre, no sentido absoluto do termo, para se subjugar  ao capital, a grupos económico, às pretensões políticas. Uma perigosa concentração, consolidando-se os monopólios que reduzem um pouco mais a liberdade de expressão, parece pôr em cheque  a liberdade dos órgãos de comunicação e só por virtude a televisão saírá imune dela.

 Os grandes grupos não se consideram com a vocação de mecenas. A ambição de financiar o talento, a inteligência, a cultura, não os faz sonhar. Seguros do  seu direito de proprietários, clarificam o seu objectivo: acumular lucros. Os grupos assim constituídos possuem demasiado poder para que o simples cidadão tenha a ousadia de os contestar.

 Os media conhecem hoje, assim, um duplo movimento: concentração sobretudo de sectores determinados e integração em grupos multimédia. Este duplo movimento conduz indiscutivelmente a uma redução do pluralismo da informção e, como receiam cada vez mais os cidadãos, isso representa uma ameaça real para a democracia. Só a lógica económica justifica e encoraja esta concentração e esta integração: receia-se uqe os grupos mais poderosos absorvam os menos resistentes, sobre tudo na Europa, na perspectiva do mercado único.

 Lógica económica e lógica democrática enfrentam-se no espaço da comunicação. Do resultado deste combate depende, em grande parte, o futuro das liberdades de pensamento e de expressão.

 

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Outros trabalhos

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Bibliografia

 
 

CAMPOS, Jorge; A caixa negra, discurso de um jornalista sobre o discurso da televisão; ed. Universidade Fernando Pessoa; Porto, 1994

CAZENEUVE, Jean; Guia alfabético das comunicações de massas; edições 70; Lisboa, 1996 

Cercle Condorcet; Les Médias, concentration et liberté; Paris; Septembre, 1987

GIACOMANIONIO, Marcelo; Os meios audiovisuais; colec. Arte e comunicação; ; ed. 70; Lisboa, 1981

MANDER, Jerry; Four Arguments for the Elimination of Television; ed. Paperback; New York; February, 1978

RAMONET, Ignacio; Propagandas silenciosas, massas, televisão, cinema; ed. Campo das letras; Porto, 2001

TOFFLER, Alvim; A terceira vaga; colec. Vida e Cultura; ed.Livros do Brasil; Lisboa, 1984

Vários autores; A comunicação social vítima dos negociantes; Le Monde Diplomatique; colec. Nosso Mundo; ed. Caminho; Lisboa, 1992

 

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