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Introdução |
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A rádio é a única forma de arte não-visual, excluindo
a música. Usa efeitos para estimular a imaginação do ouvinte,
levando-o a criar as suas próprias imagens das pessoas e dos lugares.
A propaganda, não só na rádio como na televisão,
jornais e revistas, pretende alterar a opinião de uma massa sobre
determinado assunto.
Os governos sempre foram os principais motores de
propaganda, principalmente em alturas de guerra. Para isso usou os
diversos mass media, mas sobretudo a rádio, para despertar o
patriotismo nos seus cidadãos e confundirem o inimigo, dando-lhe
informações erradas.
Nos estados de regimes totalitários, a rádio é usada
para transmitir mensagens coerentes e consistentes sem contradição.
A União Soviética, depois de 1921, mobilizou uma vasta campanha
radiofónica, acompanhada de slogans chamativos e leituras apelativas
aos méritos do socialismo.
Há ainda que considerar a mistura de informação e
ficção levada a cabo por alguns governos e denominada, a partir dos
anos 70, de desinformação.
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Outros
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| A
Propaganda Política |
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Actualmente, mais do que falar na competência de um
político, fala-se na eficácia da sua campanha. Tudo se resume a
marketing político, à imagem de determinada pessoa, à sua postura e
dicção, à sua intervenção em entrevista aos media.
Desde Franklin D. Roosevelt que todos os presidentes
americanos se têm socorrido a um aparelho de propaganda. Mas,
Reagan, Gergen, Deaver e os seus colaboradores deram mostra de uma
mestria inigualável neste domínio. O próprio James Lake, adido de
imprensa de Reagen e Bush na campanha de 1984, reconheceu que Ronald
Reagan “é a última mercadoria presidencial (...), o bom produto”.
O correspondente da ABC News na Casa Branca,
Sam Donaldson, chegou até a afirmar que “se a administração Reagan
consegue dirigir o seu aparelho de propaganda muito melhor que os
seus antecessores é porque tem o sentimento de, por direito divino,
poder fazer o que bem entende em matéria de manipulação”.
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A informação Subjugada |
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Entraves múltiplos limitam, nas sociedades
democráticas, a liberdade de expressão e informação. O dinheiro é um
dos poderes que ameaça o direito dos cidadãos ao pluralismo da
informação. Já não se fala na propriedade de uma rádio ou de um
jornal. Geralmente, os meios de comunicação encontram-se aglomerados
num grupo económico servindo, naturalmente, os interesses dos seus
proprietários, sem se preocupar com a livre e isenta informação.
Robert Hersant, Robert Maxwell e Rupert Murdoch compram, absorvem e
controlam um número cada vez maior de media, enquanto o estado se
desresponsabiliza privatizando os meios que possui.
Em França, o intervencionismo do legislador – seis
grandes reformas do audiovisual entre 1959 e 1988 – teria
comprometido as estratégias a longo prazo de grupos aptos a
rivalizar com empresas europeias de comunicação, tais como
Bertelsmann e Berlusconi. No entanto, à excepção da concorrência
entre as rádios privadas e do Estado, foram bem tímidas as
tentativas de diversificação(1). Neste sector foi preciso
esperar a lei de 29 de julho de 1982 para que fosse especificado que
“a comunicação audiovisual é livre”.
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A Rádio nos Países de Leste |
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O Estado e a
Informação
Se nas “democracias” ocidentais existe manipulação e
propaganda, ainda que dissimulada, nos países de Leste estes
factores conseguem ser mais evidentes.
Segundo o relatório referente à liberdade de imprensa
1999, editado por Freedom House Survey (FHS), nos países como
o Iraque, Cazaquistão e Azerbeijão não podem ser livres(2).
No Iraque, a difusão por meios de comunicação social
é tarefa do estado. Há pena de morte para quem insultar o presidente
ou qualquer membro oficial do governo. As rádios clandestinas
encontram-se em franca expansão, já que não são permitidas
publicações e emissões fora do partido do poder.
Já no
Cazaquistão, o Estado controla, não só os seus próprios media, como
também os que são considerados independentes. A lei de desrespeito
ao presidente e de abuso de poder por parte dos jornalistas são
frequentemente invocadas pelas autoridades. Uma estação de rádio viu
a sua licença confiscada por violar a lei de 1996, referente à
língua de emissão. As licenças raramente são atribuídas a rádios
comerciais.
No Azerbeijão, durante as eleições presidenciais, a
rádio deu especial importância ao partido no poder. Mesmo assim,
dezenas de jornalistas foram impedidos de realizar o seu trabalho,
pelo menos dez foram presos e um foi acusado de “danos morais”
contra um polícia governamental. Ainda no ano de 1999, 35
jornalistas que tentaram cobrir uma manifestação banal foram
barrados e muito do seu equipamento foi confiscado.
A
Roménia, ainda que considerada “parcialmente livre” pelo mesmo
relatório, controla os media electrónicos (rádio e televisão).
Existem cerca de 100 rádios privadas, todas elas comprometidas
politicamente, enquanto as rádios públicas são veículos de
influência política, de acordo com a maioria parlamentar.
Na Turquia, os media são proibidos de expressar
pontos de vista da oposição política e críticas ao governo. Na
verdade, a difamação não é problema porque todos os media são mais
controlados do que na Era Soviética. O correspondente da Radio
Free Europe (RFE) foi espancado duas vezes, ficando da última
vez 43 dias hospitalizado. Todos os jornalistas são empregados do
Estado.
Para finalizar, podemos apontar o caso do Uzbequistão
, onde os media da oposição são ilegais, os existentes são
governamentais, religiosos, militares ou de outras organizações
associadas ao Estado. Em 1998, um jornalista de rádio foi condenado
a onze anos de prisão por “difamação”.
O
Caso Particular do Kosovo
O Kosovo revelou-se um caso muito particular. Quando
todos os outros media se demonstraram ineficazes, a rádio foi o
único meio que os subsistiu, informando o que se passava no interior
da guerra.
A “kontakt” foi uma rádio que trabalhou para
apaziguar a situação em que o Kosovo viveu. Infelizmente, devido à
guerra, as suas emissões duraram apenas 15 dias. Tratava-se de um
serviço que englobava várias etnias “rivais” que conseguiam
trabalhar em conjunto. Tentava emitir notícias de ambos os lados e
música em inglês (para não ferir susceptibilidades).
”Para manter a paz, é melhor ter rádios do que ter
polícias” afirma Zvonko Tarlet, um jornalista croata mentor da ideia
da rádio kontakt.
Prepara-se já a emissão da RTK (Rádio e Televisão
Kosovo). Os seus responsáveis caracterizam o projecto como sendo um
serviço público, não governamental. Em princípio deve ser produzido
por kosovares, direccionado para a população do Kososvo.
O conflito dos Balcãs demonstra bem a censura e a
propaganda radiofónica. A 2 de Abril de 1992, a rádio B92 foi
encerrada por polícias jugoslávos, limitando a liberdade de
expressão. A censura militar foi a primeira a fazer-se sentir,
condicionando os noticiários a nacionalismos ou pontos de vista de
grupos sociais.
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Liberdade de Expressão |
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Radio Free Europe / Radio Liberty
A Radio Free Europe
/ Radio Liberty é um serviço internacional de rádio privado
que emite em 26 línguas e atinge 35 milhões de ouvintes. Pretende
ser um meio alternativo nos países onde os media se encontram
sufocados por uma economia caótica e sem isenção editorial.
Da Polónia ao Pacífico, do Árctico ao Golfo Pérsico
emite em ondas curtas e utiliza parceria com 100 estações de AM/FM,
excepto na Bielorússia, Irão, Iraque, Tadjiquistão e Turquemenistão.
Como suporte, a RFE / RL mantém uma presença activa na internet(3).
Desde 1975 que esta entidade difunde valores e
instituições democráticas, ajudando as pessoas desta região a
ultrapassar os seus problemas e a promover a estabilidade essencial
para a paz.
Os seus objectivos passam por noticiar objectivamente,
discutir e analisar problemas cruciais desta região para a
democracia; tenta combater a intolerância ética e religiosa;
assegura um modelo para os media locais, formando os profissionais
de forma independente.
Em alguns países, a organização mantém boas relações
com os meios de comunicação e com os jornalistas locais, mas noutros
tem de lidar com a antipatia do governo.
Durante a Guerra Fria, a União Soviética e outros
membros do Pacto do Varsóvia interceptavam regularmente os sinais da
RFE. Os presidentes da Polónia e da Estónia qualificaram de
“fundamental” o trabalho desta rádio para o fim do comunismo na
região e o presidente checo declarou que “precisamos do vosso
profissionalismo e da vossa habilidade para ver os acontecimentos
numa outra perspectiva”.
Entretanto a RFE / RL teve de suspender o serviço na
Polónia e reduzi-lo substancialmente na Checoslováquia, abrindo
emissões na Jugoslávia e no Iraque e lançando o serviço em língua
persa. O South Slavic Service, iniciado em 1993, junta
jornalistas da Bósnia, Croácia e Sérvia e pretende lembrar às
pessoas que um dia estes povos já viveram juntos e em paz e que
poderiam voltar a fazê-lo.
Nova Dimensão
Uma das técnicas mais utilizadas pela rádio, nos dias
de hoje e possivelmente nos de amanhã, é a transmissão via
internet. Utilizando esta ferramenta do ciber-espaço, a
rádio pode emitir toda a informação e programação sem qualquer
controlo.
Uma grande parte das rádios mundiais utilizam já este
sistema, nem sempre para fugir à censura, proporcionando aos
navegadores a sua informação, debates, música em real audio ,
em qualquer parte do mundo.
Infelizmente os países subdesenvolvidos, talvez os
que mais precisam de informação livre e isenta, ainda não possuem
material ou formação, bem como capacidades económicas para acederem
ao mundo virtual, o que continua a colocá-los em desigualdade com o
“mundo civilizado”.
De qualquer forma, a internet constitui um
sistema permissível de fuga ao possível controlo de informação,
tratando-se ou não de casos de conflito.
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Conclusão |
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A exposição acima apresentada pretende alertar para a
propaganda da actualidade. Não é necessário falar de democracias em
desenvolvimento ou de ditaduras, podemos considerar que as
democracias estabelecidas também usam a rádio, ou qualquer outro
meio, para propagandear, quer mensagens políticas quer objectos de
consumo. Por outras palavras, vivemos numa plutocracia mediática, na
qual apenas os proprietários dos meios de comunicação social têm
oportunidade de expressar a sua concepção do mundo. E assim, a rádio,
de instrumento de comunicação, transformou-se num fenómeno rentável
e muito pretendido.
Por outro lado, os países do leste europeu e
asiáticos encontram ainda vários entraves à livre circulação de
informação. Para além dos exemplos já citados, podemos ainda apontar
o caso da Coreia do Norte que se encontra fechada ao mundo, onde os
aparelhos de rádio se encontram bloqueados nas estações oficiais.
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| Notas bibliográficas |
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1 – GUILLON, Bernard, Les
Stratégies Multimedia des groups de Communication, La
Documentation française, Paris, 1984
2 – relatório publicado em
http://freedomhouse.org/pfs99/reports.html
3 – página disponível em
http://www.rfe/rl.org |
| Bibliografia |
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http://freedomhouse.org
http://www.rfe/rl.org
http://www.osce.org
Vários autores, La Communication
victime des marchands, Le Monde Diplomatique, Paris, 1988
Pública, 205, 30 de Abril de 2000,
pág. 46
Expresso, Internacional, 17 de Outubro de 1999
Expresso, Vidas, 17 de Abril de 1999
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